Molda Ceramic Concept Store no Portugal em Directo 2020

Loja da Molda reabre hoje nas antigas instalações da Bordallo Pinheiro 2020

CÂMARA LANÇA PROGRAMA DE AQUISIÇÕES PARA CERAMISTAS LOCAIS 2020

Festa de Encerramento Molda Concept Store 2019

Arcadia br + Amado / Faustino / Lencastre pt + Čao Laru fr/br 2019

MOLDA – Ceramic Concept Store 2019

Biblioteca de um Ceramista Industrial (1880-1980) 2019

Tiragem 2018

Produto Próprio 2018

CONVERSAS SOBRE A EXPOSIÇÃO “PRODUTO PRÓPRIO” 2018

EXIT 2017

A nova cerâmica das Caldas da Rainha está à mostra 2017

Exposição inédita junta obras de 12 ceramistas nas Caldas da Rainha 2017

12 ceramistas / 12 projectos – Feira dos Frutos 2017

Uma bienal de cerâmica em três tempos: coleção, autor, fábrica 2016

Tudo em cerâmica: nas Caldas nasceu uma bienal e uma nova colecção de design 2016

A MOLDA no programa As Horas Extraordinárias, RTP3 2016

Primeira Escolha 2016

In it 2016

Empenas 2016

Molde 2016

Animais na Cerâmica Caldense 2016

Curso de formação – Colecções de Cerâmica Caldense: património e história 2016

Conferência História da Faiança em Portugal: Novas Abordagens 2016

ESAD EXIT 2016

Conferência — Design, Cerâmica e Sustentabilidade 2016

Workshop — Mission Impossible – Globe Protocol 2016

Conferência – Cerâmica, Inovação e Design 2016

Escola convidada: ESAD.CR 2016

Molda 2016 2016

Uma bienal de cerâmica em três tempos: coleção, autor, fábrica

22 Novembro 2016

DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Plataforma de apresentação de uma cidade que quer ganhar o título de criativa pela Unesco, a bienal Molda mostra o que tem sido e o que pode ser a “louça das Caldas”.

Macacos, cobras, sapos, lagartos. Há um zoo feito de louça em exposição no Museu da Cerâmica, em Caldas da Rainha. São uma das exposições da bienal Molda, que uniu câmara municipal e ESAD (Escola Superior de Artes e Design), em torno do cartão de visita da cidade. Os bichos vieram da coleção do caldense João Maria Ferreira e foram selecionados pela curadora Margarida Elias para a exposição Animais na Cerâmica Caldense. Lá estão os exemplares de Rafael Bordalo Pinheiro, mas também de Manuel Mafra e da artista de origem judaica Hansi Stäel (1913-1961), diretora criativa da Secla.

É pela artista e pelos seus pratos decorados que João Bonifácio Serra, professor da ESAD e comissário da Molda 2016 começa a visita no papel de cicerone do DN. A fábrica fechou em 2008, uma entre muitas que não resistiu à crise, à globalização, ao grés.

A coleção de João Maria Ferreira cresceu nos últimos anos em exemplares da cerâmica de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905), fundador da fábrica batizada com o seu apelido. Mas é também “talvez a melhor coleção de [peças de] Manuel Mafra”, diz João Serra.

É diante de um exemplar deste autor que se detém o comissário: uma travessa com um cavalo pintada por outro colecionador de cerâmica caldense, D. Fernando II. Está assinada com o símbolo de sempre, as iniciais de Fernando Saxe-Coburgo emaranhadas e o f. de fecit (isto é, feito por). “D. Fernando foi o primeiro colecionador de louça de Caldas”, nota João Serra e forneceu a Casa Real (ver texto ao lado).

A coleção de João Maria Ferreira destaca-se no momento em que outros dois conjuntos se esfumam, o de António Capucho (pai), que começou a ser vendida ainda em vida do colecionador, e outro, de Maldonado Freitas, que a família também já vendeu em parte, conta João Bonifácio Serra. Apresentar coleções é um dos propósitos da Bienal Molda, de acordo com o professor coordenador da ESAD (a escola convidada em 2016, com uma exposição na Casa dos Barcos).

Outra ideia é dedicar uma das exposições a uma empresa. A de 2016 foi a Molde, cuja história se confunde com a entrada de Portugal na então CEE. A adesão foi em 1986, a fábrica nasce dois anos depois. “Vivia-se uma euforia em torno da cerâmica”, contextualiza Serra. Abriram muitas. “A única que sobreviveu, em dezenas, foi a Molde, reformulou o modelo de negócio, exportador, muito sólido, passou da faiança e da terracota para o grés”, sintetiza.

Nos seus quase 30 anos de vida manteve também ligação com vários artistas e designers. Eduardo Nery, por exemplo, fez vários painéis de azulejos com esta fábrica, o designer Filipe Alarcão, professor da ESAD, é o autor de um dos seus “serviços de combate”, logo no ano de abertura. E a comissária da exposição, Carla Lobo, é, ela própria, parte da história da fábrica e autora de várias peças agora em exposição. Para mostrar os objetos levou para o Espaço Concas peças de cerâmica por pintar e usou-as, sobre paletes, para pousar as peças que fazem a história da fábrica.

É também a maneira de mostrar objetos de cerâmica, de autor, que salta à vista quando se entra no Museu José Malhoa. Sobre três filas de tijolos que vão formando um labirinto. É assim que Fernando Brízio, também designer, também professor da ESAD, mostra a coleção de design contemporâneo Primeira Escolha.

Com os 20 mil euros de orçamento da mostra, catálogo e curadoria, foram escolhidos objetos de diversas geografias que fazem um mapa da produção dos últimos anos e, ao mesmo tempo, constituem uma nova coleção. A sua originalidade: uma parte foram compradas online, o que se revelou mais económico do que fazer empréstimos.

Há designers internacionais (Valérie Traan, Lola Goldstein), mas também os nacionais (Alarcão ou Marco Sousa Santos) e alguns deles alunos da ESAD, que trabalham nas Caldas da Rainha, como Vítor Agostinho ou Samuel Reis. São exemplos da Cidade Criativa que é Caldas da Rainha, como pretende demonstrar a candidatura a esta categoria da Unesco em 2020.

Lina Santos in – Diário de Notícias